Após muito tempo sem postar aqui, quero reviver o blog, hehe. E uma das maneiras de se fazer isso é falar de um dos álbuns que saíram durante esse período. Desta vez, o escolhido foi o Angles, do Strokes, que saiu em março.

Angles saiu após um grande hiato da banda, quando cada um estava seguindo caminhos paralelos, como projetos solos (caso de Julian Casablancas, o vocalista) ou em outras bandas (como o brasileiro Fabrizio Moretti, que estava no Little Joy). E é facilmente visível o quanto esse tempo (e os trabalhos neste produzidos) influenciou no trabalho dos novaiorquinos. A banda saiu um pouco da linha já tradicional dela, do rock de garagem com influências de bandas sessentistas, e começou a dialogar um pouco mais com o som da década de 80, mais dançante e até com um quê eletrônico. Esse som é exatamente o perceptível em Phrazes For The Young, o disco solo de Julian lançado em 2009: é só reaparar na semelhança entre 11th Dimension e Games, por exemplo.
Além de todo esse quê oitentista, o disco tem pontos que estão mais próximos dos primeiros trabalhos da banda. Caso do primeiro single, Under Cover Of Darkness, que tem a mesma pegada de sempre, e é uma das melhores do álbum. Machu Picchu é outra: possui guitarras incríveis, com riffs memoráveis; temos ainda Gratisfaction, com um refrão bem montado e Life Is Simple in The Moonlight, que remete à bossa nova, de forma única.
Mas, por completo, o Angles não funciona tão bem como Room On Fire, de 2005, e Is This It, o debut que consagrou a banda em 2001. Metabolism e You’re So Right, por exemplo, são músicas de qualidade discutível, e que, talvez, ficassem bem como um b-side, mas não no disco.
Enfim, Angles é um bom álbum, mas que fica atrás tendo em vista tudo que The Strokes já fez. Agora, é esperar pelo show deles no Festival Planeta Terra em outubro, e ver se o disco se transforma e fica melhor ainda ao vivo.